Yoga 101: Os 8 membros do yoga
- Mar 30, 2020
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Yoga é mais do que a prática de posturas ou exercícios respiratórios. Praticar yoga significa introduzir os princípios do yoga em sua vida, pensamentos e ações. Os 8 Membros do Yoga, ou o 'Sistema Ashtanga Yoga' (ashta = oito, anga = membro), são oito caminhos que funcionam como diretrizes sobre como viver uma vida significativa e intencional. Eles funcionam como receita para conduta moral e autodisciplina, concentrando nossa consciência na saúde e nos incentivando a reconhecer os aspectos espirituais de nossa natureza.

Segundo Patanjali, nos Yoga Sutras, através destas práticas podemos acalmar a mente e nos unirmos ao divino. Quando despertamos para a essência divina, podemos viver plenamente de um lugar de autenticidade. Podemos discernir quem realmente somos e qual é o nosso propósito. Quando não precisamos olhar para o exterior para determinar o certo e o errado, todas as respostas são encontradas dentro de nós.
Yama
O primeiro membro, yama, está relacionado à regra universal : "Faça aos outros o que gostaria que eles fizessem à você". São padrões éticos, focados em nosso comportamento, que orientam como interagimos com os outros. Existem cinco yamas:
ahimsa (não violência);
satya (veracidade);
asteya (não roubar);
brahmacharya (moderação dos sentidos);
aparigraha (desapego).
Niyama
Niyama, o segundo membro, são práticas de autodisciplina e observâncias espirituais. Está relacionado à obrigações direcionadas a nós mesmos, mas também pode ser considerado nossas ações em relação ao mundo externo. Em sânscrito, o prefixo 'ni' é um verbo que significa 'interior' ou 'interno'. Existem cinco niyamas:
saucha (pureza);
santosha (contentamento);
tapas (determinação);
svadhyaya (auto-estudo);
isvarapranidaha (auto-entrega).
Asana
O mais conhecido dos membros do yoga, asanas são as posturas praticadas no yoga. Na prática inicial de Pantajali, referia-se a dominar o corpo, para que ele fique parado para meditação ( derivado da palavra raiz 'as' que em sânscrito significa assento). Na visão iogue, o corpo é o templo do espírito, seu cuidado é um passo essencial para o nosso crescimento espiritual.
Pranayama
Em sânscrito, a palavra prana significa 'força vital' ou 'princípio vital'. Pranayama, o quarto membro do yoga, é a prática de controlar conscientemente a respiração. Respirar é a única função corporal que desempenhamos consciente e inconscientemente. Através de técnicas de respiração, podemos dominar o processo respiratório enquanto reconhecemos a conexão entre a respiração, a mente e as emoções. O pranayama nos ajuda a melhorar a concentração, saúde, foco, clareza, criatividade, propósito e compaixão.
Pratyahara
O quinto membro, pratyahara, é a prática de se retirar conscientemente dos estímulos externos, atraindo nossa atenção para dentro de nós. Não se trata de silenciar nossos sentidos, mas de acalmá-los o suficiente para enxergar além de nós mesmos, voltando-nos conscientemente ao silêncio através da meditação e eliminação de abstrações. Essa retirada nos permite examinar imparcialmente nossos anseios e identificar hábitos que às vezes são prejudiciais à nossa saúde e que possivelmente interferem em nosso crescimento interior.
Dharana
Cada passo nos prepara para o seguinte. Tendo nos libertado dos distúrbios externos, pratyahara, podemos lidar com as distrações da própria mente. Dharana é a prática de concentração profunda, tipicamente centrada em um único objeto mental, como um centro energético específico no corpo, uma imagem de uma divindade ou a repetição silenciosa de um som.
Dhyana
Dhyana, o sétimo membro do yoga, é o estado de meditação ou contemplação. Nesse estágio, a mente foi silenciada e, na quietude, produz poucos ou nenhum pensamento. Embora dharana e dhyana possam parecer iguais, há uma linha tênue que distingue esses dois estágios. Enquanto dharana exerce atenção pontual, dhyana é um estado de consciência intensa, porém sem foco.
Samadhi
Patanjali define o oitavo e último estágio do ashtanga, samadhi, como um estado de êxtase. Nesse estágio, o meditador funde seu ponto de foco e transcende completamente o Eu. É transcendência, conexão com o divino, acoplamento com o universo, uma integração corpo-mente da noção de que "todas as coisas são uma". Este estágio final do yoga também é conhecido como iluminação e não pode ser adquirido ou possuído. Só pode ser experimentado.
Como você pode perceber, os quatro primeiros membros do yoga concentram-se em polir nossa natureza, ganhar domínio sobre o corpo e desenvolver uma consciência energética de nós mesmos, preparando-nos para a segunda parte da jornada, que é sobre os sentidos, a mente e o alcance de um nível superior de consciência.



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